quinta-feira, 28 de junho de 2018

SACRIFÍCIO PARA AZAZEL




Entre as diversas leis de Moisés, existe escondido num extenso regimento de purificação sacerdotal uma palavra que instiga o leitor curioso, pare por um momento o que esta fazendo, e leia toda a passagem dentro de seu devido contexto na íntegra:

O Senhor disse a Moisés: "Diga a seu irmão Arão que não entre a toda hora no Lugar Santíssimo, atrás do véu, diante da tampa da arca, para que não morra; pois aparecerei na nuvem, acima da tampa.
Arão deverá entrar no Lugar Santo com um novilho como oferta pelo pecado e com um carneiro como holocausto. Ele vestirá a túnica sagrada de linho, com calções também de linho por baixo; porá o cinto de linho na cintura e também o turbante de linho. Essas vestes são sagradas; por isso ele se banhará com água antes de vesti-las. Receberá da comunidade de Israel dois bodes como oferta pelo pecado e um carneiro como holocausto.
Arão sacrificará o novilho como oferta pelo seu próprio pecado para fazer propiciação por si mesmo e por sua família. Depois pegará os dois bodes e os apresentará ao Senhor, à entrada da Tenda do Encontro. E tirará sortes quanto aos dois bodes: uma para o Senhor e a outra para Azazel. Arão trará o bode cuja sorte caiu para o Senhor e o sacrificará como oferta pelo pecado. Mas o bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel será apresentado vivo ao Senhor para se fazer propiciação e será enviado para Azazel no deserto.
[...]


Quando Arão terminar de fazer propiciação pelo Lugar Santíssimo, pela Tenda do Encontro e pelo altar, trará para a frente o bode vivo[o bode para Azazel]. Então colocará as duas mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessará todas as iniqüidades e rebeliões dos israelitas, todos os seus pecados, e os porá sobre a cabeça do bode. Em seguida enviará o bode para o deserto aos cuidados de um homem designado para isso. O bode levará consigo todas as iniqüidades deles para um lugar solitário. E o homem soltará o bode no deserto.
Depois Arão entrará na Tenda do Encontro, tirará as vestes de linho que usou para entrar no Lugar Santíssimo e as deixará ali. Ele se banhará com água num lugar sagrado e vestirá as suas próprias roupas. Então sairá e sacrificará o holocausto por si mesmo e o holocausto pelo povo, para fazer propiciação por si mesmo e pelo povo. Também queimará sobre o altar a gordura da oferta pelo pecado.
Aquele que soltar o bode para Azazel lavará as suas roupas e se banhará com água, e depois poderá entrar no acampamento. O novilho e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido ao Lugar Santíssimo para fazer propiciação, serão levados para fora do acampamento; o couro, a carne e o excremento deles serão queimados com fogo. Aquele que os queimar lavará as suas roupas e se banhará com água; depois poderá entrar no acampamento." (Levítico 16: 2-10; 20-28 NVI)

Muito se diz e se tenta explicar sobre essa passagem, porém, vou me ocupar com o que essa passagem verdadeiramente NÃO diz:

  • Que Azazel signifique o diabo, ou o nome de algum anjo caído;
  • Que ele se refere ao sacrifício para um demônio;
  • Que Deus coloca os pecados sobre satanás e faz dele participador da obra remissora;
  • Que Azazel é um oponente ou oposto de YHWH;
  • Que o bode é enviado para Azazel, e ele próprio não é Azazel;
  • Que Azazel era uma colina ou o nome de qualquer outro local no deserto.

O Antigo Testamento entende que o pecado é algo que tem de ser levado embora, e que o perdão significa alguém levar os pecados por outrem. Esta passagem é consistente com muitos outros conceitos no Antigo Testamento. A base para este entendimento está fundamentada nesta e em outras passagens, que nos auxilia a entender corretamente a obra expiatória de Cristo.

Azazel (palavra hebraica) vem de Aze, bode, e azal, partida. Significando bode emissário, e assim é traduzida essa palavra em várias respeitadas traduções como Almeida Corrigida Fiel, Almeida edição contemporânea, Almeida Revista Atualizada, Almeida Revista Corrigida, King James Fiel, King James Version, Nova Almeida Atualizada entre outras. Inclusive, versões consagradas como a Septuaginta e a Vulgata Latina não trazem nome próprio Azazel, mas traduzem por "escapar", "emissário", para vias de comparação, vou deixar apenas alguns versículos onde a palavra Azazel é traduzida em outras versões para o leitor entender o real significado da passagem sem a "poluição" da palavra hebraica:

E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo SENHOR, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo SENHOR, e o oferecerá para expiação do pecado. Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o SENHOR, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. (Levítico 16: 8-10 ACF) 
E Arão lançará sorte sobre os dois bodes; uma sorte pelo Senhor, e a outra sorte pelo bode expiatório. E Arão trará o bode sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá por oferta pelo pecado. Mas o bode sobre o qual cair a sorte para ser bode expiatório, deverá ser apresentado vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, e para enviá-lo como bode expiatório ao deserto. (Levítico 16: 8-10 KJF)

Este evento com os dois bodes ocorria no dia da expiação. Os dois bodes representavam as duas maneiras através das quais Deus estava lidando com os pecados dos israelitas com a morte e ressurreição do único Cristo: Mostrava perdoando o pecado do povo através do primeiro bode sacrificado (morte) e a remoção a culpa do povo através do segundo bode, o que estava sendo levado (ressurreição) quando o segundo bode era libertado vivo, a expiação se completava.

É importante salientar que o deserto é apenas um lugar sem a habitação humana, qualquer terra fértil, com fontes de água e bela poderia ser um deserto se ninguém morasse ali, enxergar esse deserto como uma imagem do inferno é um erro, não era permitido nenhum outro sacrifício depois desse no dia da expiação, significa que, quando Cristo morresse e entrasse no céu, não haveria sacrifício pelo pecado. (Deserto, Hebraico midbar: também significa 'pastagem' ou 'campo')

Os dois bodes representavam as mesmas ideias das duas avezinhas, uma das quais era morta e outra liberta no campo:

O sacerdote ordenará que duas aves puras, vivas, um pedaço de madeira de cedro, um pano vermelho e um ramo de hissopo sejam trazidos em favor daquele que será purificado. Então o sacerdote ordenará que uma das aves seja morta numa vasilha de barro com água da fonte. Então pegará a ave viva e a molhará, juntamente com o pedaço de madeira de cedro, com o pano vermelho e com o ramo de hissopo, no sangue da ave morta em água corrente. Sete vezes ele aspergirá aquele que está sendo purificado da lepra e o declarará puro. Depois soltará a ave viva em campo aberto. Aquele que estiver sendo purificado lavará as suas roupas, rapará todos os seus pêlos e se banhará com água; e assim estará puro. Depois disso poderá entrar no acampamento, mas ficará fora da sua tenda por sete dias. (Levítico 14: 4-8)

A ave morta e a viva tipificavam a morte e ressurreição de Cristo, por meio da qual o pecado, a enfermidade e toda a maldição seriam removidos da humanidade. Também simbolizavam o leproso liberto do pecado, do sofrimento e da doença para andar livre e em comunhão com Deus e seu povo, desfrutando da salvação por meio de Jesus Cristo.

Há algum motivo de "mistificar" essa passagem das aves? Não, da mesma forma, no caso dos bodes, precisamos nos apoiar nesse simples significado para o entendimento correto desses capítulos.

Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação. (Romanos 4: 25)

Espero que não perturbem o entendimento claro dessa passagem com maliciosas abordagens, que o Senhor Jesus ilumine o entendimento de todos, amém.

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